-diferença entre o consumo de música antes e o atual, na pandemia –
A quarentena, imposta em razão da pandemia de Covid19, provocada pelo Corona Vírus, provocou uma profunda alteração no modo de vida das pessoas. Abordamos esta realidade, de diversas formas, aqui no Blog:
https://www.tocadavilla.com/2020/04/09/a-musica-em-meio-a-pandemia/
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Mas o que não se imaginava é que o isolamento provocaria uma alteração na forma como se consome música, propriamente.
A audiência das lives está trazendo uma leitura muito diferente, da que se tinha, sobre o público consumidor de música no Brasil. A quarentena mudou, drasticamente, o cenário musical brasileiro.

Um estudo recente, feito pelas maiores gravadoras do Brasil, demonstrou uma queda substancial do streaming. O consumo de música através do Spotify caiu sensivelmente. As lives transformaram, de forma muito significativa, a maneira como se consome música.
Constatou-se que o consumidor se mostra mais saudosista, durante a pandemia. Ele não está muito interessado em saber e ouvir o hit do momento, mas sim quer ouvir a música que, de alguma forma, marcou a sua vida.

A dupla sertaneja Mateus e Kauan são uma potência no streaming, mas as lives da dupla não tiveram grande expressão. Já César Menotti e Fabiano tiveram números surpreendentes nas lives. No Spotify eles não passam de 1 milhão por mês. Mas a live no Spotify deles chegou a incríveis 700 mil simultâneos e 4 milhões ao todo; eles cantaram seus grandes sucessos e modas sertanejas, de muitos anos atrás. A explicação é o saudosismo que a dupla representa.

Nas lives de samba e pagode o movimento saudosista é mais gritante ainda e o fenômeno se repete. Dilsinho e Ferrugem dominam as plataformas de streaming, no entanto, o baixo desempenho nas lives se repete. Chegaram a 400/500 mil simultâneos; enquanto Thiaguinho chegou a um milhão.
Sorriso Maroto bateu 1,5 milhão; Raça Negra 1,6 milhão. A live de Belo chegou a quase 10 milhões de visualizações em seu canal.
O que se conclui é que estar “bombando” no Spotify não significa ter o mesmo resultado no Youtube.
Além do saudosismo, outro fato explica esta realidade: certos tipos de música, o consumidor gosta de ouvir na rua, em um ambiente externo de entretenimento. E outros tipos de música, gosta de ouvir em casa. Por isso, o funk foi drasticamente atingido, assim como o sertanejo mais moderno. Hoje, com a pandemia, o rap já ultrapassou o funk em relevância.

O que se percebeu também é que não basta ter uma boa música para a audiência de uma live bombar. O carisma é determinante: o que se quer na live é interagir com o artista, não estar diante de um ícone, mas de alguém que é “gente como a gente”.





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