Por volta do século XVII, o Carnaval chegou ao Brasil, por influência das festas que já aconteciam na Europa. Entretanto, só no século XIX começaram a surgir os blocos, os quais ficaram ainda mais populares no século seguinte.
Esse estouro em popularidade se deu com a ajuda das marchinhas carnavalescas, precursora dos protestos na história do Brasil. Este estilo tão famoso fez muita história e proporcionou músicas memoráveis, as quais passaram a integrar a cultura popular.
As marchinhas nunca saíram de moda, as músicas de cunho popular tocam até hoje e “levantam a galera”, seja nos carnavais tradicionais e nos grandes centros das capitais brasileiras, seja nos blocos de rua, espalhados por todo o Brasil.
O carnaval, a cada ano que passa, ganha mais força nas principais capitais. E o que mudou, é que as famosas marchinhas viraram hits adaptados para as musicas atuais, e em ritmo diferentes. As adaptações de marchinha vão do samba ao rock do pop ao soul. Passam-se os anos e as músicas são cantadas e servem de contexto para as brincadeiras de Rua.
Citaremos algumas das marchinhas mais tradicionais e famosas da cultura popular para relembrar e se preparar para o carnaval:
- Abre Alas
Primeira marchinha carnavalesca registrada na história do carnaval brasileiro, em 1899. Chiquinha Gonzaga, autora da obra, fez a canção para o cordão Rosas de Ouro, do Rio de Janeiro, o que impulsionou o sucesso deste cordão e também se tornou a cação mais famosa da compositora.
- Mamãe eu quero
Gravada em 1937 por Jararaca e Vicente Paiva, começou a fazer sucesso, de verdade, depois de ser regravada por Carmem Miranda, quatro anos depois de ser lançada.
- Aurora
Marchinha criada numa Quarta feira de Cinzas por Mario Lago em 1941. A marchinha virou sucesso e ganhou popularidade logo no ano seguinte. Até hoje ela é lembrada nos carnavais de ruas de todo o Brasil.
- Cachaça
Música dedicada aos foliões que gostam de beber um pouco além da conta. Mirabeau Pinheiro, Lúcio de Castro e Heber Lobato escreveram a canção em 1953 para os apreciadores da cachaça!
- Turma do Funil
Para aproveitar a época de bebedeira, Mirabeau, M de Oliveira e Urgel de Castro, em 1956, fizeram a canção para aqueles que gostam de “chutar o balde”, na época de folia! A canção foi regravada na década de 80 por Tom Jobim.
- Me dá um dinheiro aí
Um dos hinos mais tradicionais nos carnavais e tocada até hoje em todos os bailes da saudade, foi composta quase na década de 60 pelo Trio: Ivan, Homero e Glauco Ferreira e gravada por Moacir Franco, quem deu força a marchinha.
- Cabeleira do Zezé
Criada por João Roberto Kelly, na década de 60, na mesa de um bar! O compositor diz que ia sempre em um bar no Leme encontrar com os amigos e o garçom que os atendia era cabeludo, ai ficou a homenagem!
- A pipa do vovô
Canção original de Manoel Ferreira e Ruth Amaral, dupla mais popular entre os compositores carnavalescos, mas imortalizada na voz do nosso homem do baú Silvio Santos, nos anos 80.
Feito este sobrevôo sobre as tradicionais marchinhas carnavalescas, falaremos um pouco de como as marchas carnavalescas evoluíram.
Atualmente, as letras de algumas das mais tradicionais marchinhas passaram a sofrer criticas, no sentido de que o seu teor ser supostamente machista ou ainda de teor preconceituoso, quanto à origem étnica. Alguns blocos se recusam a executar algumas destas marchas. Por exemplo, alguns grupos fluminenses, de afrodescendentes, se recusam a tocar a marchinha “o teu cabelo não nega”; para eles, trata-se de uma afronta aos valores de autoafirmação negra.
Diante deste cenário, a saída encontrada foi executar o ritmo, mas suprimir a letra. Assim, preserva-se o intuito de festejar, mas sem reafirmar um valor considerado preconceituoso. Outra solução apresentada foi fazer paródias: usa-se a mesma melodia da música parodiada, mas altera-se a letra.
Outra inovação atual quanto as marchinhas é colocá-las em outros ritmos. Por exemplo, a marcha “turma do funil” foi gravada por um conjunto de funkeiros.
Ficou diferente e muito animado, cumprindo o propósito de entreter e divertir. Ainda que se possa preferir a versão original, a gravação em outro ritmo, colabora para a disseminação atual das marchas. Do contrário, os mais jovens deixariam de ter interesse espontâneo em ouvir estas músicas. Estas novidades ajudam a instigar o interesse na cultura popular.
E um outro exemplo de marchinha nos blocos atuais.





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