Uma das celebrações mais populares no Brasil – perdendo somente para o Carnaval – a festa junina era, originalmente, uma celebração pagã.
Séculos atrás, os bárbaros acendiam fogueiras para comemorar o início do verão no hemisfério norte por volta do dia 21 de junho. No século VI, o Vaticano instituiu o dia 24 de junho como Dia de São João e apropriou-se das festas pagãs para celebrar o dia daquele que batizou Jesus.
Alguns anos mais tarde, no século XIII, Portugal também passou a usar as festas como forma de homenagear Santo Antônio (13 de junho) e São Pedro (29 de junho).
Por aqui, a tradição chegou através dos portugueses durante o período colonial e, ao longo dos anos, costumes indígenas e afro-brasileiros foram incorporados, tornando a festa junina brasileira única no mundo. Embora sejam bastante populares no país inteiro, é na região Nordeste que acontecem as maiores e mais tradicionais festas juninas.
Há anos as cidades de Campina Grande (PB) e Caruaru (PE) disputam o título de “Maior São João do mundo”. Com 30 dias ininterruptos de festa, ambas as cidades preparam uma longa programação com muita comida e danças típicas, que movimentam a economia local e atraem milhares de turistas todos os anos.
AS QUADRILHAS JUNINAS
Na França do século XVIII, existia uma dança de salão bastante famosa conhecida como quadrille. Dançada a quatro pares, era uma tradição da nobreza francesa. Inicialmente, a dança chegou ao Brasil para que as elites portuguesas e brasileiras pudessem seguir as tendências parisienses. Aos poucos, ela foi popularizada entre as classes mais baixas, recebendo forte influência dos índios e afro-brasileiros que aqui viviam. Contudo, muitos dos termos utilizados até hoje para marcar a dança derivam do francês. Por exemplo, “anarriê” vem de “en arrière”, que significa “de volta”; alavantú vem de “en avant tous”, ou “todos para frente” em português; e balancê veio “balançoire”, que pode ser interpretado como balançar.
As músicas que embalam as festas juninas brasileiras, no entanto, estão bem longe da música clássica europeia. Com instrumentos típicos como sanfona, zabumba, pandeiro, cavaquinho, triângulo, viola e violão, os principais ritmos que animam as festas juninas por aqui são o forró, baião, xote e a música caipira. Nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos fizeram história e são indispensáveis em qualquer festa junina.
AS QUERMESSES JUNINAS
Na região Sudeste, em cidades como São Paulo e Belo Horizonte, as quermesses são mais populares pela comida e vinho quente, do que pela música. Normalmente organizadas por escolas, clubes e igrejas de bairro, as festas juninas são cheias de barraquinhas com comidas típicas e brincadeiras como pescaria e rabo do burro, onde os vencedores quase sempre ganham uma prenda. Entretanto, o ponto alto de uma quermesse permanece sendo a dança da quadrilha, com o seu peculiar repertório, já conhecido e cantado por todos.





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