O casamento é uma celebração tradicional. Sua origem está associada à religião e uma demanda social por estabilidade. Seus ritos e proclamas foram, por séculos, considerados imutáveis. Havia um único modo de se pensar o casamento. Então, a mãe da noiva tomava a direção das escolhas e o casamento era uma projeção dos seus gostos e expectativas.
O próprio convite de casamento traduzia esta realidade. Os pais convidavam para a celebração da união de seus filhos. O recado era claro: a celebração era pensada pelos pais, em especial os pais da noiva. Os noivos confirmavam o que estava sendo escolhido. Eram, portanto, coadjuvantes da celebração e não protagonistas.
Atualmente, ainda que, muitos escolham por manter nos convites a fórmula tradicional de as famílias convidarem para o casamento de seus filhos, na maior parte dos casos, são os próprios noivos que realizam todos os preparativos do Casamento.
A rigor, são os próprios noivos que convidam, mas vem prevalecendo, ainda, manter esta tradição de menção às famílias. A nota de ousadia é que os noivos passaram a tomar as rédeas da organização e escolhas da sua celebração. Os noivos passaram a querer imprimir à celebração, elementos que a tornem particular, única e inesquecível.
Não por acaso, antigamente, os casamentos eram sempre muito iguais: mesma decoração, mesma comida, mesma bebida, mesmos doces, mesmas músicas. Nada no casamento traduzia o que os noivos são, os seus gostos e preferências. A tradição era confundida com imutabilidade e com falta de particularidade, singularidade.
A própria celebração do matrimônio pelos padres era maçante, muito apegada às fórmulas civis e pouco pertinente ao real intuito de uma união desta natureza. As fórmulas se sobrepunham às menções ao amor, união, partilha, companheirismo. O discurso do celebrante na cerimônia era impessoal e distante.
Felizmente, entretanto, vem ganhando força uma nova forma de se conceber o casamento. Cada celebração é concebida para ser marcante, especial e revelar, em um ou mais detalhes, um pouco do que é o casal e do que é aquela união.
O convite, a decoração, o menu a ser servido, a música da cerimônia, a música do coquetel, a música da festa. Os momentos do casamento devem sempre ser carregados de simbolismos. Até a escolha do celebrante deve ser simbólica e especial: um professor de filosofia, um monge budista, um amigo padre, um celebrante que conheceu os dois ainda criança. São estes elementos que tornam a celebração inesquecível.
Combinar ousadia e tradição significa respeitar os elementos tradicionais, responsáveis por conferirem as notas características do casamento, mas, ao mesmo tempo, incluir elementos particulares, que digam respeito aos noivos. A combinação entre ousadia e tradição pode percorrer todos os elementos da contratação em um casamento. Os elementos tradicionais estão presentes, mas com um toque especial do que são os noivos:
Convites: o tipo de papel, o tipo de impressão, ou mesmo a forma de redigir o convite. Para casamentos na praia, o convite pode ser ornado com conchas e estrelas do mar. Casamentos no campo, o papel pode ser rústico e pode conter pequenas flores do campo pregadas em seu entorno. Os próprios noivos podem elaborar o convite. Há noivos ousados e inventivos que criaram um “jornal do casamento” e o distribuíram como convite;

Buffet: a comida servida pode fazer referência aos noivos. Um menu português, um menu espanhol, um menu degustação de especialidades mineiras;

Decoração: com combinação harmoniosa entre rústico e requintado;

Música: por muitos anos este cenário de “música para casamento” esteve congelado. Eram sempre os mesmos tipos de bandas e instrumentistas com os mesmos repertórios. As músicas da cerimônia devem ser marcantes e emocionantes. Um dos principais ingredientes para que a música da cerimônia seja, de fato, marcante é que ela seja de acordo com o estilo dos noivos. Noivos fãs dos Beatles, por exemplo, podem fazer a cerimônia toda com músicas da Banda. Os roqueiros inveterados podem ter, em sua cerimônia, versões instrumentais de seus sucessos prediletos. O gracioso casal que se conheceu em uma aula de dança de salão, pode ter a sua cerimônia repleta de canções que fizeram parte das danças do casal.
Inovar, neste contexto, significa permitir que novos elementos e ideias sejam agregados ao tradicional, criando harmonia entre tradição e singularidade.
Permita-se sonhar!





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