– versão de Garota de Ipanema feita por Anitta –
A cantora Anitta lançou, recentemente, o single e o clip Girl from Rio. A música é uma versão de Garota de Ipanema, de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, mas tem a proposta de ir muito além da intenção da canção original.
Quando, aqui, se diz ir muito além, não se está comparando nuances musicais e técnicas. Nem atribuindo qualquer valor ou julgamento, a uma ou outra obra.
É muito difícil ouvir uma versão e não julgar e comparar com a versão original. Isto vale para qualquer música e qualquer versão.
Veja, uma vez o grande George Michael fez uma versão de Somebody to love, do Queen, no concerto de tributo ao Freddie Mercury. Houve quem tenha torcido o nariz para a incrível performance e interpretação. Apenas porque não era o Freddie Mercury cantando! Sim, porque a interpretação de George Michael foi espetacular. Não mimetizou o Freddie Mercury, mas não ignorou o que a música pedia.
Fazer uma versão, portanto, envolve ser alvo deste universo crítico. Nem sempre justo…
Talvez, por isso, a Anitta tenha se empenhado tanto em detalhar o seu propósito com a música e o clipe: quebrar paradigmas.
Acima de tudo, é muito difícil ouvir sem preconceito, sem pré julgamento.
O trabalho de Anitta, da música e do clipe, buscou evidentemente romper estigmas e ampliar o empoderamento feminino. Mais do que a sonoridade, o importante para a artista é a mensagem. Contestar padrões impostos e questionar valores e consensos.

É uma música de empoderamento feminino e outros “empoderamentos” também. Claramente, a canção contesta a padronização da beleza. A canção também mostra o Rio de Janeiro dos cartões postais e o Rio de Janeiro do subúrbio, das Favelas. E, ao invés de tentar esconder esta realidade (como muito já se fez), a beleza da canção está em colocar no centro da análise, as curvas reais das mulheres, assim como a realidade social da cidade.





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