A Cultura da Interação nos Espaços Urbanos

O desenvolvimento social e urbano tornou as cidades opressoras. Muito trânsito, poucas áreas verdes, poucas áreas de convivência. Os espaços não são fruídos pelos seus habitantes. Transita-se, rapidamente, pelos espaços, tão somente.

 

As pessoas passaram a não mais se envolver com as cidades, com os espaços públicos. Um turista de passagem pode conhecer uma grande cidade melhor do que os seus habitantes. Quantos museus, quantas galerias, quantas salas de músicas, restaurantes, parques, edifícios históricos, praias, montanhas e trilhas são absolutamente desconhecidos pelos habitantes dos grandes centros urbanos?

Esta realidade instigou algumas iniciativas, ao redor do globo, no sentido de aumentar a conexão das pessoas com os espaços públicos. Passaremos a tratar algumas destas iniciativas, genericamente.

No passado, a construção de vias atendia a um propósito imediato de circulação, sem haver a preocupação com o meio ambiente ou com a população local. O elevado Costa e Silva, popularmente conhecido como “Minhocão”, é exemplo disso. Sua edificação destruiu a paz e a tranqüilidade dos moradores dos prédios vizinhos. Esses empreendimentos imobiliários foram brutalmente desvalorizados. Vias como essa tendem a desaparecer, justamente pela despreocupação com a qualidade do ambiente que proporciona. Na cidade de Nova York, Estados Unidos, por exemplo, uma via elevada, semelhante ao minhocão, foi transformada em um parque: o High Line. O local se tornou um belo parque suspenso e a cidade ganhou mais uma área verde, além de mais um lugar onde a população pode se dedicar ao lazer social. Em São Paulo, já existem projetos para a desativação do tráfego de carros durante a semana, para que se transforme no ˜Parque Minhocão˜, como já é regionalmente conhecido e frequentado aos sábados e domingos por centenas de famílias e simpatizantes do esporte urbano. A ideia, atualmente, é aumentar o número desses espaços urbanos, fazendo com que a interação entre a sociedade seja cada vez mais espontânea.

 

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Outra iniciativa de apropriação dos espaços públicos são as áreas de convivência em frente a restaurantes, bares, lojas; áreas que são instaladas nas ruas. Pessoas desconhecidas sentam-se, por alguns instantes, no mesmo banco, na mesma mesa. Eventualmente, estranhos passam a interagir e a cidade torna-se um pouco menos opressora, retomando o hábito de interação despretensiosa.

Há um intenso debate sobre que caminhos percorrer no sentido de revitalizar os grandes centros urbanos, como o de São Paulo e Rio de Janeiro. E nesse passo, promover o desenvolvimento social e econômico da região central e, assim, evitar que surjam áreas degradadas.

Iniciativa importante, as viradas culturais entram nesse processo de resgate da conexão da população com as cidades. A Virada Cultural é um evento anual, promovido desde 2005, pela Prefeitura Municipal de São Paulo. Nesse evento, promove-se durante 24 horas ininterruptas, diversos shows musicais, exposições de arte e história. O Centro histórico de São Paulo fica tomado de milhares de pessoas que, entre um monumento e outro, entre um prédio histórico e outro, apreciam diversos shows de artistas conhecidos e novos artistas buscando um espaço no cenário musical  da cidade que mais revela jovens talentos para o mercado fonográfico.

A música se torna expediente para ajudar a população a se lembrar da cidade como um todo. Recria-se a conexão da população com a sua cidade. Podemos chamar de “apropriação legítima dos espaços públicos.”

 

By | 2018-04-18T19:29:03-03:00 agosto 2nd, 2017|Curiosidades|0 Comments

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